segunda-feira, 5 de agosto de 2013

"PROFESSOR DE MIM MESMO!"


           “MEU PROFESSOR É UM DROGADO!”
Existe sêr humano que é mais professor do que ele mesmo imagina.  Com os meus mais de 63 anos de idade nunca imaginei receber uma lição de vida de um garoto (Lwan) de 11 anos de idade e o qual eu passo escrever tudo o que esse ainda menino (nome foi trocado por Lwan) e no qual resolvi esconder a sua verdadeira identidade e nome para não dar maiores pistas e resguardar os seus direitos de ir e vir, se bem que menores de idade aqui no Brasil tem direitos que em nenhuma parte do mundo eles tem, ou seja, á transgressão penal cometidas por menores de idade no Brasil tem milhões de direitos e regalias.

O fato e a história contada pelo garoto Lwan se deu inicio na data de 30 de junho de 2010 exatamente ás 13:20 horas da tarde após á minha pessoa ter deixado um de meus filhos (escondo a identidade dele) na escola estadual em que ele estuda. Como venho fazendo há muitos anos eu fui levar meu filho na escola estadual de meu município em São Vicente no estado de São Paulo.

Eram 12:45 horas quando na porta da escola cheguei, meu filho fui até uma pequena doçaria comprou alguma mercadoria veio até mim deu-me um beijo em meu rosto e entrou para á escola ás 12:50 horas. Por acuidade e preocupação eu fico na porta das escolas em que meus filhos estudam até que se fecham os portões da escola para simples garantia de que tudo ocorreu bem durante á sua entrada para as aulas.
Não é só isso! Enquanto eu fico aguardando a entrada de meus filhos para as aulas, eu fico observando também todos os movimentos das pessoas e dos alunos nas escolas em que meus filhos estudam após isso eu fico rondando toda a comunidade dos bairros  ora fazendo Cooper e se aproveitando para conhecer todas as comunidades circunvizinhas de onde eu resido.

Nessas comunidades se vê de tudo, de tudo mesmo...! E sempre sobre vistas grossas das nossas autoridades que são frágeis e demonstram tão incompetentes quão ineficazes, (atualmente, elas são mais ligadas no intuito político da manutenção de seus preciosos e rendosos cargos de confianças), que os tornam até certo ponto acovardados e impotentes!

Voltando á história, depois que meu filho entrou na escola eu fiquei olhando para os lados e observando ás boas vontades dos alunos para entra para estudar, uns já são meus conhecidos de outras praças, outros não, (disso eu me aproveito para gravar ás suas fisionomias em minha mente, pois, eu sou ótimo fisionomista). Para todos os lados que eu olhava, quando eu me firmava no portão da escola, eu percebi que um garoto bem trajado, bermuda camuflada com folhas em cores verde oliva, camiseta da seleção brasileira, calçava tênis bem conservado todo colorido.

Parece até obra do capeta! Raramente depois de deixar meus filhos nas portas das escolas, de imediato eu me sento nas praças que existem na comunidade, (á não ser quando de alguma ameaça que meus filhos sofram), mais dessa vez eu fui sentar-me numa praça que fica defronte á uma escola.

Estava eu sentado num de seus bancos defronte para a escola estadual e olhava distraidamente á minha direta, quando á minha esquerda eu ouvi me perguntar educadamente,___ “Tio! Por favor! Que horas são?

Já virando eu respondi, ___ “São 13:20 horas”, (qual não foi á minha surpresa em ver que a pessoa que me perguntara o horário era o mesmo menino bem vestido que estava me fitando na porta da escola que meu filho estuda)
.
Não foi só isso! O garoto após ouvir á minha resposta me disse, ___ “Tio, posso sentar aí!”. Eu estranhei o garoto pedir licença para sentar-se no mesmo banco da praça ao meu lado, pois, nos dias de hoje se necessário os jovens sentam ou fazem aquilo que bem entendem sem nada pedir, porque eles é que estão no comando de tudo e nós os de idades mais avançadas estamos sujeitos á aceitar e á ficar sobre ás suas tutelas, já que as nossas autoridades legais são frágeis!   

Meio desconfiado com o garoto eu lhe respondi, ___ “O banco é publico ele está aí é para se sentar!”. O Menino se sentou e começou á puxar conversa comigo,
___ “Aquele menino que o senhor trouxe é o seu neto?”.
___ “Não ele é meu filho! Será que eu pareço ser tão velho assim?” perguntei ao menino. Ele sorriu e me respondeu,
___ “Não é isso não! Acontece que eu sempre vejo o senhor passar por mim abraçado com aquele garoto perto do “CUCA” (é um supermercado local) e na escola o senhor sempre o beija no rosto ou na cabeça, por isso pensei que ele é seu neto, o meu avó faz á mesma coisa comigo!”.
___ “Isso é muito bacana! Seu avô também te trás para á escola?”
___ “Que nada! Ele só me beija quando eu vou á casa dele ou ele vem á minha casa”
___ “Teu pai ou tua mãe te leva para á escola?”.
___ “Não! Eu vou sozinho, eu sou muito homem para andar pelas ruas”
___ “Eu não quis dizer que precisa ser homem para andar pelas ruas, eu quis dizer se teus pais te levam para á escola para ver se tudo anda bem por lá!”
___ “Para quê? Nas escolas só estuda quer quiser! Se eu quiser ir para escola eu vou, se não querer eu não vou!”
___ “Voce acha isso legal? Perguntei ao menino”.
___ “Legal, não! Mais é o que me resta fazer!
           
            Eu abri um leve sorriso pela resposta que me foi dada pelo garoto bem aparentado, ele começou á me chamar a atenção pelas respostas me dadas e pelas conversas com palavras bem colocadas...

___ “Voce pelo visto voce estuda na parte da manhã em escola paga não é?”
___ “Não! Estudo á tarde em escola municipal (e disse o nome da escola, que omito o nome para preservar á escola)”.
___ “Voce não teve aula hoje?”
___ “Tive mais não quis ir”.
___ “Isso é errado fazer! Seus pais sabem que voce faltou á escola hoje?”.
___ “Não sabem e nem vão saber!”.
___ “Voce ainda tem pai e mãe, ou são padrastos?”
___ “Tenho uma família completa, tenho de pai e mãe á avós”.

            Quanto mais eu conversava com o garoto mais interessado eu ficava em saber de onde surgira aquela criatura ou ele fora cobra mandada para cima de mim que vivo correndo carreira na comunidade onde moro...

___ “Voce deve ter uns treze anos, não é?”.
___ “Digamos que eu tenha entre onze e doze anos”, vi em sua resposta que ele tentou esconder sua idade. Antes que eu pudesse fazer outras perguntas Lwan me fez um pedido,
___ “Tio me arranja dois reais”.
___ “Filho não me leve á mal e nem estou querendo te negar o dinheiro, mais eu não tenho nenhum tostão no meu bolso”
___ “O senhor tem e não está querendo me dar, melhor seria dizer, que não quer me dar, isso fica mais bonito para o senhor!”
___ “Voce é folgado não é garoto? Eu não sou obrigado estar discutindo contigo se quero ou não dar dinheiro á estranhos! Eu não carrego dinheiro comigo, não sou obrigado á dar nada á ninguém, e nem quero pensar em perguntar para que voce queira esse dinheiro!”
           
            Com á resposta que eu dei, percebi ter mexido com os brios do garoto, que ainda mantendo á classe da conversa que estava tendo comigo, me disse,
___ “Tio eu deixei o senhor nervoso?”
___ “Não! E nem quero ficar”.
___ “Me desculpe tio, eu só lhe pedi o dinheiro porque vi que o senhor me parece ser muita distinta, e porque eu vi que o senhor deu dinheiro ao seu filho para comprar lanche naquele boteco!”
___ “Meu filho não entra em botecos e aquilo não é um boteco e uma doçaria. Eu dei ao meu filho o único dinheiro que eu trouxe de casa para ele comprar algo, e tenho por costumes não carregar dinheiro, á não ser que eu saia de casa com aquele fim”.
___ “Se o senhor diz não ter dinheiro estão explicados os seus motivos!”.

            Eu fiquei meio atordoado com a resposta dada aquele menino e mais ainda fiquei em saber para que ele quisesse o dinheiro e tive á insensatez de lhe perguntar,
___ “Posso lhe perguntar uma coisa?”
___ “Quantas coisas o senhor querer!”
___ “Voce queria o dinheiro para quê?”
___ “Queria não! Ainda quero! È para comprar uma perola (pequena pedra de crak), ou uma diamba, (poção de maconha ou haxixe) para matar á minha vontade.

Não acredito que essas coisas acontecem comigo, não sabendo ser gozação daquele bem trajado menino ou uma sátira dele comigo, quase que gargalhando eu lhe perguntei,
___”Com dois reais voce vai comprar essas drogas, voce tá com gozação comigo?”
___ “É só para matar á vontade, tem preços de dois, três, cinco, dez, quinze e de vinte reais para cima”.
___ “Como voce sabe desses preços?”
___ “É o que no bairro se acostuma pagar!”.

                        Não pode ser isso para mim é um sonho impensado, ou o menino é um contador de histórias nato (Estelio), ou um farsante de nascença. Tem fatos inacreditáveis que não querendo temos que crer que existem, os chamados infortunados da sorte ou dos destinos, Lwan me parecia ser um desses...

___ “Eu acredito que voce é de boa família, ao menos é o que me parece, estás bem vestido, tens boa aparência, se o que me contaste é verdade, seu pai ou sua mãe sabe o que voce faz quando está fora de casa?”
___ “Não! E nunca vão saber!”
___ “O que lhe dá tanta certeza disso!”
___ “Meu pai é vigilante, tem dois empregos e só aparece em casa por poucas horas do dia! Minha Mãe trabalha com meu único avô em um bingo Clandestino da Praia Grande, em casa eu sou único filho!”
___ “Vou te perguntar novamente se é verdade que voce usa droga, aonde voce aprendeu á usar na escola?”
___ “Não em casa mesmo!”
___ “Seus pais são usuários de drogas?”
___ “Pior que não, eles são evangélicos!”
___ “Como voce aprendeu em casa se seus pais não usam drogas?”
___ “Um de meus tios, o mais novo deles, eu tenho dois tios e uma tia, ele quebrou uma pedra de crak sobre a pia de casa, só estávamos nos dois, caiu dentro da pia uma perola da pedra quebrada, eu vi como foi que meu tio usou a droga, quando ele foi embora do mesmo jeito eu fiz com a droga, depois, eu passei a ter vontade de cada vez mais usar á droga, eu pedia dinheiro aos meus pais para comprar lanche na escola e na escola eu comprava á droga. Daí para frente cada vez mais eu as consumo e para o meu sustento peço ás pessoas que me ajudem!”
___ “Fazendo isso voce não está pedindo ajuda ás pessoas, voce está pedindo á sua ruína! Voce devia tentar abandonar esse vicio, devia estudar e pensar em seu futuro, pensar em constituir família, ser alguém na vida”.
___ “Esse seu tio sabe que voce usa drogas?”
___ “Ele nunca me viu usar droga, porque ele está preso por furtar uma bicicleta numa loja de São Vicente para comprar crak e está pagando mico no CDP até hoje. Se ele souber, ele me mata”.

            Existem coisas na vida que não deve ser insistido, dentre essas coisas é o apelo as autoridades brasileiras para que cedam ás suas ajudas, porque elas não estão se lixando para os menos assistidos, Lwan é exemplo disso, perguntado por mim o que ele aprendeu na escola, veja o que ele me disse,
___ “Na escola que eu estudo só aprendi duas coisa muitos importantes, antes do inicio das aulas logo na entrada, aprendi cantar o Hino nacional e o hino de minha cidade (São Vicente)”.
___ “É só isso que voce aprendeu de útil na escola?” Perguntei isso ao garoto.
___ “Poucas outras coisas, o mais importante que aprendi foi esses dois hinos, o resto dá para o gasto!”

            O que mais eu poderia dizer ou perguntar á um garoto que sequer se sabe ser um contador de dramas? Por ultimo eu fiz á ele uma proposta mais que legal,
___ “Se voce me cantar o hino do município e o hino de São Vicente eu lhe dou um presente”
___ “Qual é o presente?” me perguntou o garoto.
___ “Primeiro me cante os hinos depois eu lhe dou o presente, e te garanto que custa mais do que dois reais!”
___ “O tio está querendo me aplicar o 171?”
___ “Não sou pessoa de enganar aos outros, me cante os hinos e levas o premio”
           
            O menino me cantou os dois hinos, o hino nacional ele cantou na integra, esse eu sei décor o hino do município de São Vicente, só sei algumas estrofes, mais ele cantou todo o hino se errado ou não só ele mesmo para saber. Acabado os hinos veio a cobrança do garoto,
___ “Cadê o meu presente?”
___ “Eu lhe prometi e vou pagar, voce fique aqui mesmo, eu vou até minha casa, vou apanhar dinheiro, vou passar no “Cuca” (supermercado), vou te comprar um pote de cascão (sorvete) e venho te trazer, voce me aguarda?”
___ “O senhor não me prefere dar o dinheiro?”
___ “Não! Eu não quero te alimentar nas drogas”.
___ “Então não precisa fazer esse esforço tio, se o senhor trouxer o pote de sorvete, fique certo que eu não vou usar e vou trocá-lo por um a perola (pequena pedra de crak), por isso não vou lhe enganar”.

            E para á minha surpresa, o garoto depois de me segurar num papo de mais de uma hora, resolve se retirar, demonstrando não ficar magoado comigo, assim ele se despediu,
___ “Tio Não esquenta a moringa, sem ressentimentos, e sei me virar sozinho!”, assim ele partiu.

            Na data de Hoje, 01 de julho de 2010, logo pela manhã depois de eu ter deixado meu filho (outro filho) numa escola municipal e me cruzei com o menino Lwan, numa praça chamada pela comunidade da praça das drogas, completamente drogado, esse garoto ao me ver passar gritou, 
___ “ Diz aí tio! Tudo pela ordem?”. Eu fiz um gesto que sim com o dedo polegar e sequer parei para conversar com o menino que estava á três metros de distancia de mim!
            É revoltante! O garoto disse que o mais útil que ele aprendeu foi dois hinos, eu faço aqui uma pergunta ás autoridades, existe professor melhor do que aquele que sabe cantar hinos quer seja, da união, do estado, do município ou outros hinos?


            Por falar em hinos, eles só são cantados obrigatoriamente, em festividades nacionais ou datas comemorativas, ou nas igrejas, já que só os ouvimos, em campeonatos esportivos ou em paradas militares, em algumas escolas só cantam os hinos sem ás suas obrigatoriedades de cantar, depois querem cobrar dos alunos sua necessidade de sabê-lo para quê? Se só cantamos quando em paradas militares, já que as escolas não funcionam em feriados alguns porque não se seguir o exemplo da escola municipal que ao menos ensinou o meu professor “DROGADO PROFESSOR LWAN” a aprender algo de bom e dar prova que isso ele soube aprender e cantar afora as drogas psicotrópicas que ele usa.

OS NOSSOS PATRIOTISMOS SÓ EXISTEM QUANDO DE CELEBRAÇÕES, INAUGURAÇÕES, JOGOS ESPORTIVOS E OUTROS EVENTOS, MENOS DENTRO DAS ESCOLAS PORQUE? DEPOIS, NÃO SE PODE COBRAR DE NENHUM ESTUDANTE OU DO POVO BRASILEIRO SABER CANTAR SEUS HINOS, JÁ QUE ELES SÓ EXISTEM NA FORMA POLITICA E NÃO NA FORMA DIDÁTICA!  

Obs: Acreditem se quiser no que aqui narrei, outros motivos não me levaria a perder tempos em escrever á tão importantes autoridades!

JOÃO CARLOS GONÇALVES
(Pai de aluno)